Outubro Rosa: Oficina de Turbantes resgata autoestima e identidade

Publicada em 04/10/2017 às 17:03

O diagnóstico de câncer linfático chegou em 2015, após um torcicolo e o surgimento de um nódulo no pescoço. Sem histórico semelhante na família, Teresa Zombini Zonho, de 55 anos, encontrou no marido e nos dois filhos a força necessária para enfrentar a doença sem medo. “Vivia um dia de cada vez da forma mais intensa possível. Foi difícil, dolorido e desgastante, mas sabia que a determinação e a positividade me levariam mais longe”, disse.

O período de tratamento contou com seis ciclos de 21 dias de quimioterapia vermelha. “Em apenas quatro meses, a doença atingiu quase o meu corpo todo, com exceção do cérebro e da medula óssea”, relembrou a diretora de escola aposentada. A queda de cabelo foi apenas uma das diversas reações da medicação e, segundo Teresa, os lenços foram fundamentais neste processo de aceitação: “Ganhei muitos modelos e em diferentes formatos e cores. Como eu não pude receber visitas, os amigos deixavam na caixa de correspondência. Meu marido até encomendou uma prótese natural feita com o meu próprio cabelo, mas não me adaptei e preferi os tecidos”. Dois anos depois da descoberta, Teresa leva a vida com sorriso ainda mais largo e olhos brilhantes: “Hoje, meu tratamento é de manutenção e já tenho autorização para fazer passeios e até viagens longas”.

Além de inspirar os mais próximos, esta história de luta da Teresa também foi dividida com novos amigos durante a Oficina de Turbantes, promovida nesta quarta-feira (04), no Fundo Social de Solidariedade. “Encaro o câncer de maneira muito realista e, caso ele volte, terei ainda mais força para enfrentá-lo. A minha participação neste workshop é pensando no futuro, ou seja, se eu precisar ser medicada e perder meus cabelos mais uma vez, saberei fazer novos turbantes e ainda mais modernos”.

A iniciativa integra a programação do “Outubro Rosa” e é fruto de uma parceria da Prefeitura de Jundiaí com o Centro Paula Souza e a empresa Truckvan, que doou lenços para o Fundo Social de Solidariedade. A primeira turma contou com 11 participantes, com diferentes idades e objetivos. Jaqueline Pirani, que é técnica em edificações, soube do encontro e garantiu a inscrição para ajudar uma amiga, que tem o fígado acometido pela doença. “Ela está no meio de um ciclo de quimioterapia e não conseguiu a liberação médica. Assim, estou aqui para aprender e ensiná-la a fazer”, explicou. Já o Jean Silva, que é voluntário em uma associação, na Vila Nambi, provou que turbantes e lenços também são assuntos para homens: “Em nosso trabalho, temos contato com moradores do bairro que também estão em tratamento. Nesta semana, após conversar com uma paciente, senti a necessidade de saber lidar melhor com esta situação, proporcionando um acolhimento diferente”.

De acordo a presidente do Fundo Social de Solidariedade,  Vanessa Machado, a proposta é oferecer para as mulheres a possibilidade de brincar com o visual, mesmo com a falta da moldura dos cabelos, resgatando a autoestima e a valorização pessoal na busca pela cura: “O câncer tem um impacto psicológico significativo na vida da paciente. Mas, quando esse momento é vivido com conhecimento, compreensão e vontade de vencer, a resposta ao tratamento é muito mais positiva”.

Programação

As Oficinas de Turbantes acontecerão até o final de outubro, às quartas-feiras, das 10h às 12h e das 13h às 15h, na sede do Fundo Social, que fica dentro do Parque da Uva, com acesso pela avenida Dona Manoela Lacerda de Vergueiro, s/n, portão 03, bairro Anhangabaú. Podem participar pessoas em tratamento e público em geral com 18 anos ou mais. As inscrições podem ser feitas presencialmente ou pelos telefones (11) 4521-2929, 4521-2762 e 4521-6833. “Durante os encontros, os participantes aprendem diferentes técnicas de amarração, desde o nó mais simples até o mais elaborado. O mais interessante é que qualquer pessoa pode fazer um adereço bonito com tecidos e lenços”, disse a professora Dalva Moraes Santos.

“Nós promovemos a cura da doença e eu quero que mais pessoas entendam a importância de dar a volta por cima. Se hoje eu estou aqui, aprendendo mais coisas e conhecendo outras pessoas, foi porque não me entreguei. Tenho certeza que o lenço na cabeça também ajudou a fortalecer a minha identidade novamente”, concluiu Teresa.

Assessoria de Imprensa

Fotos: Fotógrafos PMJ



Link original: https://saladeimprensa.jundiai.sp.gov.br/2017/10/04/outubro-rosa-oficina-de-turbantes-resgata-autoestima-e-identidade/
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