Monitoramento de fauna discute ações comunitárias na Serra do Japi  

Publicada em 29/09/2016 às 16:32

O uso pioneiro de câmeras TRAP para o projeto-piloto de monitoramento de fauna na Serra do Japi, adotado em 2015 em uma das mais importantes unidades de conservação da mata atlântica do país, aponta em seus primeiros resultados um grande potencial de aperfeiçoamento científico do sistema, com novas fases em preparação para técnicos e comunidade.

Ao lado de uma boa variedade de animais silvestres registrados em diversos pontos da Reserva Biológica Municipal (Rebio), a presença de animais domésticos nos registros chamou a atenção para os riscos de contágio ou predação entre os dois grupos.

Esses alertas motivaram medidas relativas à Reserva Biológica Municipal, coordenadas pela Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, voltadas ao controle sanitário de cães domésticos no entorno da reserva (dentro da área tombada) e de prioridade nas escolas municipais do entorno do território de gestão para a campanha educativa chamada “guardião mirim”. São ações importantes e que devem ser consolidadas e ampliadas.

Entretanto, o instrumento de armadilhas fotográficas infravermelhas e não-agressivas (ou seja, sem flashes) vem sendo usado há mais tempo pelo meio científico e pode ser ajustado a novos campos de resultados.

O equipamento foi essencial, por exemplo, para a pesquisadora Mariana Nagy Baldy dos Reis nos anos de pesquisa de doutorado sobre os fatores humanos na distribuição de animais silvestres nas diversas áreas e categorias restritivas de uso na região da Serra do Japi, reunindo apoio nas principais universidades paulistas (Unicamp, USP e Unesp) e no centro de pesquisa norte-americano USGS.

Um dos principais alertas dessa análise é a diferença entre ausência/presença a que o senso comum poderia reduzir o uso desses equipamentos pelo complemento de detecção/não-detecção que inclui outros fatores, principalmente humanos (os antrópicos, com margem para efeitos naturais) que possam interferir nos resultados.

Outro ponto é o escalonamento de indicadores na leitura dos dados. As tabelas bioestatísticas priorizaram a divisão de espécies animais por dieta alimentar entre carnívoros, frugívoros (de solo e de copa), herbívoros (dispersores ou predadores de sementes) e onívoros, contemplando o equilíbrio do ecossistema. E o uso de referências ponderadas estatisticamente como a distância da área mais restritiva de uso, no caso das zonas externas à Rebio, ou fatores de declividade, proximidade de água, presença de estradas de acesso e outros.

Em paralelo, também estão técnicas de baixo custo e complementares às câmeras para a identificação de presença de espécies animais como a tricotomia. Trata-se do recolhimento de fezes de felinos, geralmente feito para o estudo de dieta mas aproveitando que todos se lambem muito e acabam engolindo pelos que permitem uma identificação genética da espécie.

A cooperação científica no programa de monitoramento de fauna, dessa forma, amplia o alcance desse projeto nas políticas públicas municipais no setor de meio ambiente. Uma reunião preliminar já foi realizada entre a pesquisadora e técnicos do setor, mediados pela secretária Daniela da Camara e pelo diretor Marcelo Pilon, e uma agenda inicial com servidores permanentes  e conselhos relacionados ao tema está sendo definida.

Alinhamento – Essa cooperação é importante no momento de grande esforço intersetorial que está sendo realizado para a construção da base de dados do Plano Municipal de Mata Atlântica e Cerrado, um dos programas previstos na lei 8.683 (resultante do Plano Diretor Participativo), que definiu referências como o mapa de fragmentos naturais e o mapa de nascentes de água em Jundiaí.

Nesse campo, outro aspecto importante é a compreensão sobre as diferenças e complementaridades entre legislações incidentes no município e nessa área específica. A legislação federal de unidades de conservação (SNUC) recai principalmente sobre a Reserva Biológica Municipal e seu entorno específico. A legislação estadual de patrimônio recai sobre a área tombada como monumento natural na Serra do Japi. A legislação municipal engloba ambas no Território de Gestão.

Dessa maneira, em algumas vezes a expressão “zona de amortecimento” é diferente em cada camada, inclusive em suas restrições. Mas devem ser harmonizadas, como ocorreu no caso do mais recente Plano Diretor (municipal) e com a Área de Proteção Ambiental APA Jundiaí (estadual) no município inteiro.

Potenciais novos – As informações sobre espécies trazidas pelo monitoramento infravermelho, dessa maneira, podem ser usadas tanto para orientar ações imediatas (como nos casos de espécies “invasoras” da reserva e entorno ou nos indícios de atividades ilegais como caçadores) como também em análises mais amplas a partir de bancos de dados científicos sobre a biodiversidade, ecologia das espécies e da paisagem e sobre as pressões humanas.

São usos técnicos, de pesquisa de novos dados e de gestão pública. Mas também, pelas qualidades intrínsecas de imagens naturais, adequadas para usos educativos e até comunitários. A meta inicial é adensar a transferência de conhecimento para os técnicos municipais e de setores envolvidos com o tema na sociedade civil, como no caso das ferramentas bioestatísticas de análise e leitura de dados.

José Arnaldo de Oliveira



Link original: https://saladeimprensa.jundiai.sp.gov.br/2016/09/29/monitoramento-de-fauna-discute-acoes-comunitarias/

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