Pesquisa científica reforça ajuste ambiental do Plano Diretor

Publicada em 17/08/2016 às 16:22

A chamada “pressão antrópica” interfere diretamente na presença de mamíferos frugívoros ou carnívoros e em suas funções na dinâmica da biodiversidade. A pesquisa inédita, orientada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Universidade Estadual de São Paulo (USP), no Brasil, com a cooperação da United States Geological Survey (USGS), nos Estados Unidos.

A pesquisa usou como campo de trabalho a Serra do Japi, mas reforça a lógica de crescimento controlado das zonas periurbanas criadas pelo Plano Diretor Participativo na lei 8.683, nas bordas da própria Macrozona de Proteção da Serra do Japi e Serra dos Cristais, assim como também da Macrozona de Proteção Ambiental, Hídrica e de Desenvolvimento Rural no outro lado do “cinturão verde” de Jundiaí.

Em outras palavras, a pesquisa conduzida pela doutora em ecologia Mariana Nagy Baldy dos Reis mostra que fatores humanos (como densidade de estradas, qualidade de cobertura florestal ou distância de áreas mais restritivas) reduzem mais a presença de mamíferos frugívoros como macacos, pacas, veados ou outros e mamíferos carnívoros como jaguatiricas, gatos-do-mato ou outros do que fatores ambientais como declividade, altitude ou a densidade hidrológica.

Tanto frugívoros quanto carnívoros, os mamíferos são considerados “chaves” no papel ecológico de dispersar sementes dos frutos (frugivoros) e regular a população de suas presas (carnívoros)

Escolhida nessa cooperação nacional e internacional por ser uma das últimas áreas contínuas de mata atlânticas no Estado de São Paulo, a Serra do Japi abrange trechos em quatro municípios.

Mas apenas em Jundiaí conta desde uma Reserva Biológica Municipal (Rebio) com formato mais restrito de uso, até o território inteiro da cidade reconhecido como Área de Proteção Ambiental (APA), de formato mais aberto.

Da Rebio à APA – A pesquisa indica que antes desses indicadores não havia clareza sobre como as diferentes regras de manejo das áreas protegidas podiam influenciar a ocupação e uso do habitat das espécies estudadas.

“Na Serra do Japi existe a Rebio, que é o local mais restritivo ao homem. Há também o entorno com áreas de amortecimento e a área natural tombada. Portanto, são três graus de proteção na serra, indo do mais protegido para o menos protegido. Quanto mais o sistema de proteção for restritivo à presença humana, maior a variedade de espécies, e consequentemente, de grupos funcionais de mamíferos”, afirmou Mariana em entrevista ao Jornal da Unicamp.

O trabalho avançado de ecologia, que durou vários anos foi apoiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), as duas maiores agências de fomento científico do país.

Como no processo de análise de Jundiaí no Plano Diretor da lei 8.683, que abrange o município inteiro (que é uma APA), esse trabalho científico também observa o paradoxo da localização geográfica da serra e da cidade dentro de um possível corredor de fauna junto com as matas preservadas das serranias do litoral e do complexo Cantareira-Mantiqueira. Mas ao mesmo tempo dentro das pressões de crescimento imobiliário, descarte de lixo ou atividades de caça ou pesca provocadas pela localização no eixo São Paulo-Jundiaí-Campinas.

Conservação – Além das áreas da Rebio, da área tombada e das zonas de amortecimento do território de gestão (que segue orientado pela lei 417), a Serra do Japi recebeu com a lei 8.683 uma faixa de entorno de zonas periurbanas 1 e 2, com bairros de ocupação urbana de casas sem prédios altos. O mesmo ocorreu com o entorno da macrozona rural e de mananciais.

“Com essa legislação, o território de Jundiaí voltou a ficar mais próximo da visão de APA de que estava se distanciando em mudanças anteriores do plano”, afirma a secretária de Planejamento e Meio Ambiente, Daniela da Câmara Sutti.

Além disso, foram mapeados 928 fragmentos naturais e 1,4 mil nascentes de água no município para ampliar os cuidados com o meio ambiente, parte da qualidade de vida da cidade e de seus moradores.

Tudo sem perder áreas industriais (que na verdade aumentaram de 8% para 9% do território total do município) e o próprio crescimento da cidade, agora mais organizado com proteção à qualidade de vida dos bairros e com estímulo ao uso de milhares de áreas e imóveis vazios dentro das áreas urbanas já consolidadas com sistemas de infraestrutura (transporte, eletricidade, água, esgoto, escolas e outros) e serviços.

No caso da pesquisa específica em ecologia dessa cooperação internacional o foco está na área ambiental de referência desse território, mas reforça a continuidade desses estudos e debates sobre todo o município.

Para o trabalho realizado ao longo de vários anos a pesquisadora foi orientada pela professora Eleonore Zulnara Freire Sets, do Departamento de Biologia Animal do Instituto de Biologia da Unicamp, com coorientação de Adriano Garcia Chiarello, da USP -campus de Ribeirão Preto, e colaboração de Milton César Ribeiro, da Universidade Estadual Paulista (Unesp –  campus de Rio Claro).

Já a parte desenvolvida no exterior teve orientação de James Nichols no Patuxent Wildlife Research Center, órgão vinculado ao USGS nos Estados Unidos.

Veja também:

https://www.jundiai.sp.gov.br/noticias/2016/08/05/caes-que-vivem-na-serra-terao-coleta-de-material-para-exame-na-quinta-11/

 

José Arnaldo de Oliveira

 

 

 

 



Link original: https://saladeimprensa.jundiai.sp.gov.br/2016/08/17/pesquisa-cientifica-reforca-ajuste-ambiental-do-plano-diretor/
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