“Produtores de água” levam Jundiaí a Extrema (MG)

Publicada em 30/08/2013 às 06:27
DivulgaçãoOs secretários Brunholi e Pablo e a diretora Marcela: troca de experiências

Os secretários Brunholi e Pablo e a diretora Marcela: troca de experiências

O secretário de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente, Marcos Brunholi, e a diretora de Agronegócio, Marcela Fillipini, visitaram nesta sexta-feira (30) a experiência do projeto Conservador das Águas na cidade mineira de Extrema. O objetivo de conhecer a iniciativa, que entre outros mecanismos remunera propriedades rurais que conservam a mata ciliar e as nascentes e evitam a erosão, é pensar em novos meios de apoio para os produtores agrícolas de Jundiaí.

“A cidade faz parte da bacia hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí e utiliza recursos do fundo. A visita teve essa finalidade técnica porque ainda é muito difícil para a nossa sociedade valorizar o ar, a água e o ambiente e temos uma enorme pressão imobiliária sobre a nossa região”, explicou Brunholi.

Em reunião com o secretário de Meio Ambiente de Extrema (MG), Pablo Henrique Pereira, os visitantes souberam que a taxa de remuneração anual (hoje com 44 propriedades envolvidas) é de uma unidade fiscal municipal (R$ 210) por hectare em nome do papel da produção de água.

“Aqui já faz uma diferença, mas cada lugar tem uma realidade diferente”, afirmou Pablo, lembrando que três experiências de sequestro de carbono já dobraram a remuneração nas propriedades envolvidas.

Tanto a chamada produção de água (que é a conservação de nascentes) quanto o sequestro de carbono (que é a conservação da mata) são modalidades de prestação de serviços ambientais ou PSA. O conceito ainda está em implantação no Brasil.

Como funciona – A cidade de Extrema, onde estão diversas nascentes do rio Jaguari, tem 30 mil habitantes e uma topografia altamente montanhosa que ao longo do tempo foi “pelada” por poucos usos agropecuários. A recuperação de matas ciliares forma também os chamados corredores ecológicos de biodiversidade entre fragmentos de mata e garante a drenagem da chuva.

“Na verdade, estamos aplicando as leis ambientais de reserva legal e área de proteção permanente que poucos cumprem. Vamos conversando gradativamente, não é algo de uma vez só. Depois de autorizadas por um termo de referência, as equipes da prefeitura fazem até as bacias de contenção de chuvas nos morros”, explica o gerente do programa, Arlindo Cortez.

Até mesmo contêineres diferenciados surgiram para a coleta seletiva na zona rural e biodigestores se multiplicam onde não há fossas sépticas. O trabalho avança por áreas e desde 2007 e já plantou mais de 368,5 mil mudas nas sub-bacias das Posses e do Salto. O projeto também atrai visitantes para a cidade e é usado para a educação “in loco” da rede municipal de educação.

A diretora de agronegócio, Marcela Fillipini, registrou principalmente o uso de tubetes e máquinas de plantio na capacidade da equipe local de plantar 1,2 mil mudas por dia.

Com diversas premiações, a iniciativa é executada pela administração local mas tem parcerias como o Instituto Estadual de Florestas de Minas (para materiais como cercas e insumos), a Agência Nacional de Águas (monitoramento de água e recursos de conservação de solo), Comitê das Bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí (financiamento de projetos) e as ONGs The Nature Conservancy (financiamento) e SOS Mata Atlântica. Entre as empresas que apostam na idéia, algumas calculam dentro do conceito da “pegada hídrica ou ecológica” baseado na quantidade anual de água que utilizam industrialmente.

Inspiração para Jundiaí – Para o secretário Marcos Brunholi, apesar das fortes diferenças entre a realidade da cidade mineira e a parceira de bacia hidrográfica, muitas ideias podem ajudar no projeto em andamento de valorização do produtor rural de Jundiaí.

“Soubemos até mesmo de uma iniciativa paralela de estudos em Jarinu, que é nossa vizinha tanto de Aglomeração Urbana como de bacia do rio Jundiaí-Mirim. Nossa realidade tem as particularidades urgentes, mas temos condições de estudar melhor as leis e parcerias que nos repassaram”, explicou.

Ao comentar sobre a impressão de que os consumidores de água poderiam financiar os “produtores” das nascentes, Brunholi ouviu do colega mineiro que o saneamento brasileiro ainda está longe de entender os mananciais. “Ainda há mais represas e engenharia do que preocupação com a origem da água. Até mesmo a cidade norte-americana de Nova York investe grandes recursos para manter seus mananciais nas montanhas Catskill”, citou Pablo. Os estudos da Universidade Federal de Lavras, da Universidade Estadual de Campinas, da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz e do Instituto Agronômico de Campinas usados em Extrema podem ser um ponto de partida para estudos de viabilidade da futura aplicação do conceito no município. “Mas antes vamos avançar com nossas feiras e assistência técnica ao produtor”, lembrou Marcos.

O debate deve envolver em Jundiaí, além da pasta, os setores de Finanças (que elabora o modelo de uma nova contabilidade que incorpore os bens intangíveis) e de Planejamento e Meio Ambiente (que também estudam mecanismos de desenvolvimento sustentável).

DivulgaçãoO plantio com aparelhos e tubetes tem alta produtividade em Extrema

O plantio com aparelhos e tubetes tem alta produtividade em Extrema


Por José Arnaldo de Oliveira

Link original: https://saladeimprensa.jundiai.sp.gov.br/2013/08/30/produtores-de-agua-levam-jundiai-a-extrema-mg/


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